Por que alguns rinocerontes na África estão sem chifre?

Por que alguns rinocerontes na África estão sem chifre?

Você está no meio de um safári, aparece um rinoceronte e alguma coisa parece diferente.

Cadê o chifre? 🦏

Não, ele não nasceu assim. E também não significa necessariamente que tenha sido atacado por caçadores.

Em algumas reservas da África do Sul, o chifre é removido propositalmente como estratégia para proteger os rinocerontes da caça ilegal.

Parece contraditório? Um pouco. Mas a explicação faz sentido.

Rinoceronte sem chifre: por quê?

O chifre do rinoceronte é alvo de um comércio ilegal que movimenta muito dinheiro, impulsionado principalmente pela demanda internacional.

E isso colocou esses animais na mira de caçadores por décadas.

Uma das estratégias adotadas em algumas áreas de conservação foi bastante direta: se o objetivo dos caçadores é o chifre, retirar o chifre diminui o interesse naquele animal.

O procedimento é conhecido como dehorning.

Ele é realizado por equipes especializadas, com o animal sedado e seguindo protocolos para que a retirada seja feita de forma segura.

E tem uma curiosidade: o chifre cresce novamente.

Por isso, dependendo da estratégia adotada pela reserva, o procedimento precisa ser repetido depois de algum tempo.

Mas do que é feito o chifre do rinoceronte?

Aqui vem outra parte que costuma surpreender.

O chifre do rinoceronte não é feito de osso.

Ele é formado principalmente por queratina, a mesma proteína encontrada nas nossas unhas e cabelos.

Sim. Clique aqui e saiba mais sobre a caça ilegal de rinocerontes.

Um animal gigantesco sendo perseguido por causa de algo composto basicamente pelo mesmo material das nossas unhas.

A natureza não economiza nas ironias.

Todo rinoceronte sem chifre passou por isso?

Não necessariamente.

Um rinoceronte pode perder ou danificar o chifre naturalmente, e as estratégias de conservação também variam de acordo com cada parque e reserva.

Por isso, durante um safári, não dá para olhar para qualquer rinoceronte sem chifre e simplesmente concluir o que aconteceu.

E essa é uma das coisas mais legais de fazer um safári acompanhado por quem conhece a fauna local.

Você começa procurando animais.

E termina querendo entender por que aquele animal está daquele jeito, o que ele está fazendo e o que aquela cena conta sobre a vida na savana.

Safári também é descobrir essas histórias

Leões costumam ganhar os holofotes. Elefantes param qualquer carro. Leopardos fazem todo mundo sacar a câmera em dois segundos.

Mas às vezes é um rinoceronte sem chifre que rende uma das histórias mais interessantes do dia.

Porque fazer safári não é simplesmente completar uma lista de animais vistos.

É começar a entender um pouquinho do que acontece naquele ecossistema — inclusive as decisões difíceis tomadas para tentar protegê-lo.

Na próxima vez que você vir uma foto de um rinoceronte sem chifre, pelo menos já sabe:

não é que ele “não tenha”. Ele pode ter uma história inteira por trás disso. 🦏

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *